Como Fazer Fotografias Panorâmicas
Por vezes, o que queremos retratar abrange um ângulo de visão tão grande que não é possível captá-lo apenas com uma fotografia. Ou seria possível com uma muito grande angular, mas a distorção pode não transmitir o que queremos.

O melhor modo que conheco de conseguir captar o que vejo, e o que sinto, em grandes ângulos de visão, especialmente em grandes paisagens, é fazendo imagens panorâmicas compostas de várias fotografias.

A panorâmica mais simples podem ser apenas duas fotografias horizontais, a mais complexa podem ser várias camadas de várias fotografias com várias exposições diferentes.
Vou usar um caso mais comum, uma tira de fotografias, neste caso verticais para se ficar tão preso à linha do horizonte.

Podemos começar por avaliar a quantidade de paisagem que queremos retratar, a angular que temos disponível ou queremos usar e passar por toda essa área medindo a luz. Interessa verificar a zona de menor luz e a zona de mais luz. Para que a panorâmica final fique harmoniosa e natural todas as fotografias devem ser feitas com a mesma exposição.
Em princípio usa-se a exposição média entre o mínimo e o máximo medidos e devem fazer-se todas as fotografias em modo 100% manual, com abertura, tempo de exposição e iso completamente definidos à partida.
Aconselho vivamente a fotografar em formato raw, se tal não for possível é importante fixar também à partida o equilíbrio de brancos.
Um modo de ser mais preciso é fotografar com essa exposição as tais situações extremas e verificar se perdemos os detalhes na sombra ou nas luzes altas e ajustar de acordo.
Ter o sol nas costas ajuda a conseguir uma exposição mais homogénia e pode valer a pena voltar noutra altura do dia em que isso seja possível. Se não, tente-se por exemplo esconder o sol directo atrás de uma rocha ou de uma árvore.


As fotografias devem ser feitas todas de seguida, para garantir que as condições de luz são as mais próximas possível entre si e para que elementos móveis, como as nuvens, se mantenham na mesma posição em cada fotografia.
Devem ser feitas igualmente tendo em atenção se estão niveladas entre si. Um tripé pode ser uma enorme ajuda, especialmente se tiver uma cabeça que permita o movimento de panning horizontal.
Com experiência é possível fazer estar fotografias sem tripé, mas é sempre preciso dar margens de erro e será muito mais difícil fazer a junção das fotografias, especialmente quando há elementos próximos em que pequenas alterações de perspectiva alteram a disposição espacial do mesmo em relação aos outros e em relação ao fundo.

É absolutamente necessário fotografar com sobreposição entre cada imagem. Se estivermos a usar uma tele-objectiva há menos distorção e a sobreposição pode ser menor, digamos 20%, se estivermos a usar uma angular maior podemos ter de garantir sobreposições de até 50% da imagem!


As fotografias devem ser processadas todas com os mesmos settings, brilho, contraste, equilíbrio de brancos, etc.
Juntam-se depois em computador usando um de muitos programas disponíveis com ferramentas próprias para o efeito.
O Photoshop tem uma dessas opções, mas software mais especializado pode ser mais eficiente. Duas sugestões são o Hugin, que é completamente gratuito, e o Autopano/Gigapano.
É de grande vantagem o ficheiro a imagem composta ter, para além desta, as várias imagens que a compõem em separado já que é frequente ter de fazer pequenas correções.


Depois de todos os retoques necessários à composição final, eliminam-se as margem em excesso e irregularidades, fazem-se os ajustes de brilho e cor e obtemos a imagem final que, se fizemos tudo bem, nos há-de fazer novamente sentir um pouco do que sentimos quando lá estivemos ao vivo.